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Descolonizar a Psicologia

Dia 22 de outubro de 2020 as 12h participaremos do projeto “Diálogos para Não passar em Branco” organizado pela AfroEducação e Instituto Ella Criações.

Dra. Simone Gibran Nogueira trará sua experiência profissional e de produção de conhecimentos na busca por descolonizar as ciências psicológicas.

A AfroeducAÇÃO é uma empresa social fundada em 2008, pioneira na produção de ações estratégicas para a equidade racial brasileira, por meio da aplicação da Lei Federal nº 10.639/03, sendo a única do país que atua na interface com a Educomunicação, buscando promover o diálogo, o respeito e a possibilidade de ouvir e ser ouvido(a).

O Instituto Ella Criações Educativas atua no desenvolvimento de cursos, palestras, consultorias, revisões e eventos com foco em direitos humanos.

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Live Psicologia Africana

A ANPSINEP – Associação de Psicólogas/os Negras/os e Pesquisadoras/es lançou a Campanha “Saúde Mental da População Negra – Importa!”. Além da campanha, a ANPSINEP está perguntando às psicólogas:

QUAIS SUAS PRÁTICAS E ESTRATÉGIAS DE CUIDADO COM A POPULAÇÃO NEGRA?

A Psicologia e Africanidades participará da campanha “Saúde Mental da População Negra – Importa!”!!!!! No dia 14 de setembro, segunda as 17h em nosso canal do Youtube, vamos abordar essa pergunta apresentando a LIVE: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA AFRICANA com a Dra. Simone Gibran Nogueira.

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Saúde Mental da População Negra Importa!!!

A ANPSINEP – Articulação Nacional de Psicólogas/os Negras/os e Pesquisadores lançou a Campanha Saúde Mental da População Negra Importa!!! A Campanha será de 15 de agosto a 15 de setembro de 2020. Realizaremos uma live para colaborar com a ação.

Esse é um chamando a todos os setores da sociedade brasileira para fazer adesão. Se você se IMPORTA venha fazer diferença.

A @anpsinep quer saber, quais as suas práticas e estratégias de cuidados com a População Negra? Participe da Campanha #SaúdeMentaldaPopulaçãoNegraImporta! Produza um conteúdo, contando suas história/experiências de cuidado.

A Psicologia e Africanidades se alia à esse movimento. Vamos realizar uma live sobre “Psicologia de raiz africana – possibilidades plurais e dialógicas” no dia 14 de setembro as 17h, no nosso canal de Youtube e Fanpage. A live compartilhará resultados de pesquisa que estão registrado no livro “Libertação, descolonização e africanização da Psicologia – Breve introdução à Psicologia Africana” (2019) de Simone Gibran Nogueira.

Maria da Conceição dos Santos – “Diante do cenário atual, a população negra tem sofrido diretamente os efeitos colaterais que vão muito além do adoecimento físico em consequência da Covid-19. Neste ano, mazelas sociais como desemprego, racismo, violência policial, violência de gênero, têm resultado em danos psíquicos, que muitas vezes resultam em situações mais graves como é o caso do suicídio. O escancaramento destas situações atualmente evidencia desigualdades históricas que embora, sempre estivessem manifestas, com a presente crise nota-se os prejuízos em todas as ordens, inclusive, emocional de maneira muito mais intensa”.

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Pensar sociedade pela capoeira

Descrição do Evento

O evento é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Antropologia e Política (GAP), linha de pesquisa “política e práticas culturais brasileiras de matriz africana” do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), coordenado pelo Professor Celso de Brito, em parceira com o Grupo Diálogos Urbanos de Extensão e Pesquisas Interdisciplinares da Universidade da Integração Luso Afro-Brasileira (UNILAB), coordenado pelo Professor Ricardo Nascimento.

Nesse evento, reuniremos mais de 70 especialistas entre pesquisadorxs, capoeiristas e pesquisadorxs-capoeiristas de diferentes vertentes, áreas do conhecimento e instituições nacionais e internacionais para comporem uma grande roda virtual em torno de questões candentes na sociedade brasileira atual, tendo como eixo central as análises sobre a capoeira.

Tendo em vista o cenário sócio-político-sanitário conturbado em que vivemos, no qual tanto a cultura popular-tradicional (e os segmentos étnicos a ela vinculados) quanto as ciências humanas e sociais encontram-se sob sérios ataques, faz-se emergente que forjemos alianças e pensemos nossas práticas e ações políticas conjuntamente. Com o objetivo de nutrir essas ações com reflexões de qualidade, propomos debater sobre os seguintes temas: organização social, africanidade, branquitude, especificidades das diferentes capoeiras nos estados brasileiros, gênero, patrimonialização, cosmologias, arte, corporeidade, educação e ancestralidade.

Façamos com que o afastamento físico que nos foi imposto pela disseminação do covid-19 não seja capaz de nos afastar socialmente e nem de nos desmobilizar politicamente nesse importante momento histórico.

Passo a Passo para a Inscrição

Todas as atividades serão gratuitas e abertas a todxs, mas para aquelxs que quiserem o certificado de 40 horas, façam suas inscrições pelo no site:
https://rodadedebates2020.wixsite.com/sociedadeecapoeira
Após acessar o site clicar em “Inscrições” e

  1. Clicar em “Extensão” (na esquerda da página);
  2. Clicar em “Acesso à area de inscritos em Cursos e Eventos”;
  3. Clicar em “Ainda não possuo cadastro”;
  4. Preencher o Formulário;
  5. Recomeçar até chegar em “Área de inscritos em Cursos e Eventos” e clicar nessa opção;
  6. Aparecerá uma lista de eventos na parte de baixo da tela. Procurar o evento “I Roda de debates: pensando a sociedade através da capoeira” e clicar numa seta verde ao final da linha do lado direito do nome do evento;
  7. Preencher o espaço “Instituição” com o nome de seu grupo de capoeira, universidade ou instituição em que estuda ou trabalha

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Livro – Libertação, Descolonização e Africanização da Psicologia

O livro traz: 1) Uma leitura crítica sobre a colonialidade do poder, do saber e do ser presentes na Psicologia tradicional Euro-americana e na vida cotidiana de brancos e não-brancos. 2) Para tanto, é importante compreender parte da construção histórica, política e científica inovadora de pesquisadoras/es, pensadoras/es e psicólogas/os negras/os – africanas/os no continente e na diáspora americana. 3) No caso dos Estudos Afrocentrados, a construção destes novos horizontes para a humanidade são informados pela visão de mundo africana desde o Egito, a África negra e a diáspora, se valendo de conhecimentos que são ancestrais, milenares e longevos. 4) Na especificidade da Psicologia, ressalta-se a importância de reconhecer as limitações imperialistas da Psicologia tradicional Euro-americana para o bem comum, e abrir diálogo para diferentes perspectivas de ser humano, de estabelecer relações sociais e produzir uma sociedade que seja verdadeiramente plural, dialógica e justa para as maiorias do mundo.

O livro é decorrente da tese de doutorado “Psicologia Crítica Africana e Descolonização da Vida na Prática da Capoeira Angola” (2013) realizada na PUC-SP. Ele faz parte da coleção África e Diáspora do NEAB/UFSCar. A obra contou com “Auxílio Publicação de Livro” da FAPESP (processo 2018/04366-3).

O livro pode ser adquirido online na versão impressa e e-book pelo site da EDUFSCar ou na AMAZON.

Ele contou com Prefácio de Dra. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Contra-capa de Dr. Eduardo Oliveira e Orelha de Dra. Raquel Sousa Lobo Guzzo.

“A autora tem-se proposto, há anos, com curiosidade, respeito, disponibilidade, buscar conhecer, compreender a capoeira – sua história, propósitos, estratégias e lições – e com ela aprender. Aprendeu e tem aprendido a participar do jogo, das vivências, da história e dos significados culturais da capoeira.”

― Dra. Petronilha Beatriz G. e Silva, professora emérita da UFSCar

“Pautada no regime da cultura africana – no continente e na diáspora – a autora, com ineditismo, desdobra uma psicologia descolonizada, na contramão do modelo imperial da disciplina, tendo na cultura e no sujeito negros africanos a experiência da libertação que refunda as bases epistemológicas e éticas de uma aventura humana veramente libertadora.”

― Eduardo D. Oliveira, professor da UBFA

“A autora, mesmo não sendo negra, foi capaz de se sensibilizar e se colocar a disposição deste debate com a humildade de quem inicia a crítica à hegemonia branca da Psicologia, que desconsidera práticas sociais, cultura, sofrimento, superações, combatividade de um grupo social não dominante, sobretudo em nosso país.”

Raquel Sousa Lobo Guzzo, professora da PUC-Campinas

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Psicologia Africana em Tempos de Covid 19

Durante os próximos dias publicarei a tradução de todas as falas desta importante reunião. Tenho certeza que servirá para muitas/os brasileiras/os.

Voce poderá conferir as traduções nos seguintes links

Cartaz traduzidohttps://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/

Wade NoblesSobre surgimento da ABPSi e o porque de uma Psicologia Negra. – https://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/wade-nobles/

Sharon BetheaNecessidade de retomar as práticas tradicionais africanas. https://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/sharon-bethea/

Jacqueline AtkinsOrientações para cuidados com as crianças. https://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/jacqueline-atkins/

Paula MooreOrientações para o cuidado consigo mesmo. https://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/paula-moore/

Afiya MbilishakaImportância das Práticas e Valores Africanos. https://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/afiya-mbilishaka/

Derreck WilsonImportância das Práticas e Valores Africanos. https://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/derreck-wilson/

Anelle WilliamsOrientações para o cuidado de si. https://psicologiaeafricanidades.wordpress.com/psicologia-negraafricana/psicologia-africana-em-tempos-de-covid-19/anelle-williams/

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Africanizar a Psicologia Social

A ideia central deste Blog é divulgar experiencias, eventos, reflexões e o que mais possa interessar sobre cultura, educação, política, academia e artes de raiz africana e suas possíveis relações com a Psicologia Social. Como autora do Blog busco evidenciar a contribuição que o pensamento e a experiência de raiz africana no mundo têm para oferecer à Psicologia Social, por isto a proposta de africanizar a Psicologia Social.

Me africanizei e continuo me africanizando na prática da capoeira angola, uma escola que forma cidadãos decentes e conscientes sobre a realidade brasileira e mundial. Nada melhor que trazer a imagem do Mestre João Pequeno de Pastinha como Abre Alas desta iniciativa, já que ele com seus 93 anos de idade é o capoeirista mais velho vivo e na ativa no mundo. Salve Mestre João Pequeno! Salve Mestre Pastinha! Peço sua licença e sua benção para começar este trabalho. Que Deus me dê força e ilumine minhas palavras para transmitir uma boa contribuição.

Quem se interessar e quiser acompanhar as matérias pode se inscrever no Blog e receberá uma notificação por email toda vez que houver uma nova postagem. Precisa fazer um comentário para aparecer a inscrição.

Vocês também podem escrever comentários, sugestões e críticas em cada postagem. São muito bem vindos!!!!

Impacto na ciência

A Revista Pesquisa FAPESP deste mês conta com a especialista Simone Nogueira para falar sobre a construção da diversidade e como a inclusão de estudantes pretos e pardos no ensino superior reverbera na produção do conhecimento.

Luana Vitra

https://revistapesquisa.fapesp.br/impacto-na-ciencia/

A edição de outubro de 2021 da Revista Pesquisa FAPESP trouxe destaque para o tema Diversidade em Construção. A Jornalista Christina Queiroz entrevista especialistas de diversas áreas do conhecimento, como sociólogos, antropólogos, psicólogos, engenheiros e Coordenadores de Cursos para entender quais impactos que a inserção de pretos e pardos trouxe nas Universidades públicas e como essa realidade afeta a produção de conhecimento.

Simone Gibran Nogueira, pós-doc em Psicologia Social (PUC-Campinas), apresenta a realidade da desatualização dos currículos nos cursos de Psicologia no Brasil em relação à demanda crescente dos estudantes negros, que trazem a necessidade de conhecimentos que tragam a experiência preta e parda para a sala de aula e abordagens que dialoguem com a história e contexto dessas maiorias.

A matéria completa você confere no link:

https://revistapesquisa.fapesp.br/impacto-na-ciencia/

I Ciclo do GEPAL

Entre julho de 2020 e agosto de 2021 aconteceu a experiência do projeto piloto do Grupo de Estudos em Psicologia Afrocentrada na Lusofonia – GEPAL. Apresentamos a seguir um pouco do histórico dessa iniciativa e alguns dos resultados dessa jornada.


O Projeto Piloto do GEPAL surgiu em 2020 a partir da iniciativa da Dra. Simone Gibran de reunir psicólogas/os e pesquisadoras/es que se interessam por Psicologia africana. Além do objetivo comum de estudar referências culturalmente informadas pela raiz africana e buscar descolonizar as ciências psicológicas, o coletivo também se orientou e vivenciou uma metodologia de afrocentramento. 

Este projeto piloto teve duração de um ano e os participantes eram diversos em gênero, pertencimento étnico-racial e formação. Eram mulheres e homens cisgêneros, de orientações sexuais diversas, negras/os e não-negras/os, do Brasil e de Angola, em sua maioria psicólogas/os pós-graduadas/os, com exceção de um psicólogo sem pós-graduação e uma pesquisadora da linguística parceira do projeto.

Mário José Chanja, N’kwanduenga de Mandombe no Instituto Sankofa em Angola, professor de Psicologia Criminal no Instituto Superior Politécnico Alvorecer da Juventude; Ms. Cibele Bitencourt Silva, psicoterapeuta clínica na Paraíba; Dra. Elcimar Dias Pereira, professora e psicoterapeuta que trabalha com bioenergética e abordagem sistêmica em Goiás; Dr. Ramon Luis de Santana Alcântara, professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Maranhão.; Dra. Claudia Marinho Wanderley, pesquisadora da linguística do Centro de Lógica Epistemologia e História da Ciência da Universidade Estadual de Campinas. Dra. Claudia participou do GEPAL como parceira e colaboradora de trabalho de Dra. Simone.

Em relação à perspectiva de afrocentramento, todas/os participantes foram incentivados a se apresentar e se localizar enquanto sujeitos de sua própria história e produzir suas leituras de mundo e reflexões críticas a partir desta bússola. Esse processo de autoreflexão e conscientização incluia a apresentação do pertencimento étnico-racial de seus antepassados, formações familiares e institucionais, experiências profissionais e aspirações de mudança no mundo num sentido antirracista. 

No que se refere aos estudos e discussões realizadas, a cada reunião os entendimentos comuns  e unânimes, chamados de “pontos fortes”, foram analisados e organizados em três categorias: experiências vividas e refletidas dentro do grupo de estudos, mentira mortal, e caminho para libertar a Psicologia e construir Psicologia Afrocentrada.

A promoção dessa auto reflexão pessoal, a exposição de si num lugar de refúgio coletivo e elaborações reflexivas a partir de cada lugar de fala relacionado com as referências estudadas, foi percebido pelas/os participantes como um processo de cura, ou mais precisamente de auto-cura em relação à mazelas psico-emocionais do racismo.

Petronilha B. G. e Silva nos apresenta que valores de refúgio são aqueles “que sobreviveram à opressão da escravidão, da colonização, do racismo; são também valores que, mesmo tendo sido construídos nestas circunstâncias, se contituem possibilidade de proteção, segurança, fundamento para viver, pensar, construir” (Silva 2011, p. 83 e 84)

Notadamente, dois conceitos/processos se destacaram nas discussões e entendimentos construídos coletivamente. Um foi a interculturalidade enquanto diálogo igualitário entre diferentes perspectivas históricas e culturais marginalizadas, bem como o entendimento de que nas relações de dominação e imposição de modelos únicos de humanidade não há diálogo. Outra compreensão sobre processos foi o conceito de intersubjetivação enquanto diálogo necessário entre saberes acadêmicos e saberes tradicionais orais para o avanço nas ciências psicológicas no século XXI numa perspectiva antirracista.

A elaboração desta experiência foi registrada em dois artigos produzidos pelo grupo e que foram submetidos a publicações científicas. Todos os participantes foram convidados a apresentar esta experiência no lançamento do II Ciclo do GEPAL. Em agosto encerramos o projeto piloto 2020-2021, certos de que ele foi bem sucedido.

O sucesso desta experiência piloto desdobrou no processo de consolidação deste projeto. Em 2021 o GEPAL vai para o seu segundo ciclo, que começa em setembro e sua duração vai até agosto de 2022. As inscrições vão até o final de agosto.

Psicologia Africana – textos iniciais

Psicologia Africana é uma das vertentes teóricas da Psicologia Negra que vem sendo desenvolvida desde a década de 60 e 70 principalmente nos EUA e no Caribe. Esta vertente é denominada radical, pois busca produzir fundamentos teórico-metodológicos e práticos a partir das raízes africanas, sem nenhum apelo às teorias eurocentristas. Ela tem como marco histórico de referência o Egito Antigo, a África Negra e a Diáspora.

O artigo fundador desta vertente teórica de Psicologia Negra nos EUA é intitulado Voodoo or IQ: an introduction to African Psychology (1975), uma co-autoria de Syed Khatib, D. Phillip McGee, Wade Nobles e Na´im Akbar. O PDF do texto está no final desta matéria.

Argumentamos que era importante entender os negros dentro da estrutura conceitual de nossas origens culturais, em vez de nos preocuparmos com nossa condição e circunstâncias atuais. É claro que a extensão dessa concepção de causalidade representou uma ideia radical para a psicologia ocidental e para aqueles que foram treinados dentro dos limites da abordagem europeu-americana da psicologia“. (excerto traduzido da Introdução do livro Akbar Papers in African Psychology de Na´im Akbar, 2004).

No Brasil, o texto que marca a chegada desta perspectiva de Psicologia africana no país é o capítulo de livro intitulado Sakhu Sheti – retomando e reapropriando um foco psicológico afrocentrado, de Dr. Wade Nobles. Ele compõe o IV volume da Coleção SANKOFA do IPEAFRO, organizada pela Dra. Elisa Larking Nascimento em 2009. Esse capítulo é como uma bússola, serve para orientar a direção da caminhada para a produção de uma psicologia africano-brasileira. O PDF do texto está no final da matéria.

Livro – Identidade, Negritude e Branquitude


Publicado em 03/05/2016

O livro “Identidade, Branquitude e Negritude – contribuições para a psicologia social no Brasil” publicado no final do ano de 2014 visa ser uma continuidade atualizada do livro “Psicologia Social do Racismo – estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil”. Este último foi publicado há mais de uma década, em 2002, representando um retrato das publicações da época na área da Psicologia Social sobre relações étnico-raciais. Ao longo de mais de uma década o “Psicologia Social do Racismo” se tornou uma referência teórica indispensável à todos os pesquisadores, militantes e educadores interessados e comprometidos com a problemática das relações étnico-raciais no Brasil. Eu, pessoalmente, tenho visto este livro nas bibliotecas de todos os pesquisadores negros que visitei desde 2005, quando ingressei na pós-graduação.

Para a construção desta continuidade atualizada de pesquisas na área da Psicologia Social sobre relações étnico-raciais, o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) tornou público edital nacional convidando gratuitamente psicólogos, pedagogos, educadores e demais profissionais de áreas afins que desenvolvem trabalhos ou pesquisas sobre os temas identidade, branquitude e negritude a submeterem artigos para a seleção de trabalhos para serem publicados no livro. As inscrições aconteceram de 15 de junho a 15 de setembro de 2011. Foram recebidos e analisados 38 artigos e ao término do processo seletivo foram selecionados 14 artigos das 5 regiões do Brasil. 

O livro foi organizado por Maria Aparecida da Silva Bento (CEERT), Marly de Jesus Silveira (UNB) e Simone Gibran Nogueira (PUCC). Cada uma das organizadoras também tem um capítulo autoral no livro.


Resumo: O racismo institucional, a pertença religiosa, a literatura, os processos de exclusão de crianças e adolescentes quilombolas e a complexidade do corpo negro são temas tratados nesta publicação de forma articulada, com a dimensão identitária das relações raciais, por diferentes autoras e autores, por meio de relatos de experiências profissionais, estudos teóricos e ensaio. O objetivo é focalizar a complexidade da identidade racial de brancos e negros, afetada diretamente pelo sistema de relações raciais vigente, em que a desigualdade e a exclusão racial são agudas, e brancos e negros são colocados em lugares simbólicos e concretos extremamente diferentes, não raro antagônicos, muitas vezes vendo a si próprios e ao outro de maneira distorcida, o que favorece o tensionamento entre os grupos, bem como a permanência do quadro das desigualdades. A compreensão da dimensão subjetiva e de seus meandros pode propiciar uma leitura mais profunda do contexto racial em que estão inseridos os diferentes grupos, criando condições para a construção de uma sociedade mais igualitária e democrática.


Livro disponível em livrarias ou direto na Editora Casa do Psicólogo.

Como uma das organizadoras, eu (Simone) também publiquei um capítulo no livro, intitulado “Políticas de identidade, branquitude e pertencimento étnico‐racial”. Segue o resumo e o link para visualização do PDF escaneado.

Resumo do capítulo: Este texto é uma revisão crítica de literatura sobre pertencimento étnico‐racial. Relaciona o referido conceito a processos de humanização e desumanização numa perspectiva africana. A partir desta reflexão conceitual, analiso o contexto brasileiro, no qual as relações sociais hegemônicas são baseadas na ideologia da supremacia racial branca, e como estas relações impactam na subjetividade dos que são privilegiados por essa ideologia.


Acesse o artigo em PDFPolíticas de identidade, branquitude e pertencimento étnico-racial