Conferências – Pischikova, Moumouni, Jeffries,

As atividades deste dia ocorreram Woodruff Library do Atlanta University Center. Vale destacar que esta biblioteca recebeu importantes coleções de materiais tais como o acervo particular do Dr. Asa Hilliard III e manuscritos antigos de Timbuktu no atual país do Mali, este manuscritam tem entre 200 a 400 anos de existência e estão escritos em árabe.

Escultura de Karakamun – achada nas escavações

Dr. Elena Pischikova (Egiptologista) – Trabalha no ASA Restoration Project –  em 2001 ela iniciou este trabalho, a busca pela a tumba de Karakamun. Trabalhou de 2001 a 2006 sozinha e com recursos prórprios, digo, seu próprio dinheiro . Não por acaso, seguiu indicações de onde estaria a tumba e no local achou um vilarejo que era da família de um dos grandes exploradores de tumbas no Egito. Teve todo um tramite político até remover a vila e começar as escavações. Os achados são impressionantes e dizem muito sobre Karakamun. Karakamun era um faraó da 25 dinastia, por volta de1.000ac anos. Os achados revelam que Karakamun era um pesquisador das dinastias anteriores, das pirâmides. Há pinturas que retratam suas pesquisas sobre 3.000ac, música, dança, indumentária, costumes, colheita de uva, técnicas de amassar uva e espremer o bagaço para fazer vinho, utilização da vaca para leite, do burro para transporte de carga. Além da escavação eles estão fazendo um trabalho, o de reconstrução da tumba de Karakamun, reconstruindo os pilares e salas, há capítulos do “livro dos mortos” nas paredes.

Dr. Farmo Moumouni (Filósofo do Mali) – falou sobre as origens do Vale do Nilo na cultura Songay, como a cultura kemética do Vale do Nilo influenciou a cultura Songhoy da região do atual Mali. O professor apontou que o coração da África está batendo, os valores africanos estão sendo postos em ordem, estão sendo revitalizados, e a dignidade africana está sendo restaurada, principalmente por estes trabalhos desenvolvidos pela diáspora na África. Ele estava falando especialmente dos pesquisadores dos Estudos Africanos e desta conferência. No continente os valores africanos estão fragmentados e perdidos, eles estão esquecidos por causa da ignorância e por motivos políticos. A África está sendo esvaziada há séculos. Um boa ação de resistência é uma ações de socialização da África e sua localização no mundo. O que os africanos querem não é a supremacia de seu conhecimento, mas sim a verdade que tem sido apagada, silenciada. Esta é a meta, desvelar a história da humanidade e ninguém pode nos impedir de ir até o fim. O professor relembrou as 4 tese de Cheik Anta Diop e Theophile Obenga. (elas são mais ou menos estas, mas não estou descrevendo de forma precisa, perdão):

  1. A civilização egípcia (Kemetica) e da Núbia tem o mesmo papel quando analisadas, tem mesmo princípio e origem.
  2. Não podemos separar o Egito do resto do continente, há ligações culturais fortíssimas.
  3. Entender os estabelecimentos de laços linguísticos é fundamental para entender como as culturas estão intimamente interligadas.
  4. O sentimento de ligação lingüística permite o sentimento de identidade ancestral.

A relação que o povo Songoy tem com o Egito/Kemete é muito evidente na sua língua falada. Pode-se fazer uma análise polissêmica do povo Songoy:

  • Antropológica – povo
  • Geográfica – área da população
  • Linguiística – da língua Songoy

Império Songhoy - abrange 7 países da atual ÁfricaNa África Ocidental os recursos orais vêem do Egito, do séc. 7 e 8, e fundaram a cidade de Cuquial. O império Songoy é conquistado pelo Mali em 1325, as cidades de Cuquial e Gal são mais antigas que esta data. Cuquial é uma velha cidade na beira do rio no território Songoy. Já existia na Era dos faraós. Era uma cidade em que os faraós iam ver teatro e shows de magia, data de 1.300 a 1.200ac podendo ser da época de Ramises. Havia um claro intercâmbio territorial e um intercâmbio cultural entre Egito e Songoy. Há uma comunalidade de crenças em magia entre os faraós e os reis de Songoy. Nas batalhas os reis e os faraos chamavam os magos para ajudar na vitória, para s proteger do mal olhado do inimigo, usavam amuletos e consultavam os Deuses. No primeiro 1/3 do século 14, Sani Ali Ber funda o império Songoy liberto do Mali, mais poderoso e grande, corresponde a área de 7 países africanos onde a língua Songoy é falada. Os manuscritos de Timbuktu comprovam tudo. Em 1857 começa o colonialismo com Felix Eboue – os etnólogos, lingüistas, antropólogos colonizadores fizeram de tudo para dissociar o Egito de Songoy. Classificaram, desqualificaram, classificaram de outra forma com categorias como primitivo, definidas por números. Mas há muitas provas da viva ligação entre Egipcios e Songoys que estão na língua até hoje, no léxico construído. Usam as mesmas palavras para definir e dizer as mesmas coisas. Como:

  • BA – alma
  • BAH – abundância
  • KHA – braço
  • KEB – moeda
  • KENB – esquina
  • TI – ser
  • KHAN – tombar

Dr. Leonard Jeffries (Black Studies) – diz que nossas crianças nascem para vencer, mas para desenvolverem esta característica têm que ser formadas, temos que produzir as condições para este desenvolvimento e para a vitória. Eles não vão se desenvolver sozinhos. Temos que observar e analisar com a visão de mundo africana. Hoje, todos os países tem planos para a África. Há uma grande competição, um esforço global do capitalismo, para a exploração da África. Contra tudo isto há a luta pra fortalecer a família e criar um nov espectro do espírito humano e do que africanos podem fazer. Há uma renascença africana no planeta agora. Devemos nos perguntar: quem somos? Onde estamos? E quem devemos ser? Um outro desafio que também temos que explorar é pesquisar esta insanidade branca, pessoas que saem matando uns aos outros, vejam as guerras mundiaisOs africanos sobreviveram a estas insanidades.

O conselho de segurança das Nações Unidas – UN – foi criado para proteger a Áfrican contra sua super exploração e para construir um novo plano para a África. DuBois, Paul Robson e outros estavam lá.

Temos que dar aos africanos uma mente africana. Temos que libertar a mente africana. A história da humanidade nasceu na África. Economia e política são as funções que tem que reger cada célula de nosso corpo. Cheik Anta Diop orienta as ações em seu livro “Civilização e Barbárie”. A cultura tem uma função especial e as contribuições de Wade Nobles e Asa Hilliard são fundamentais para entender este aspecto. A cultura é epistemologia ( define o que é conhecível e como podemos conhecer). Tem um esforço global para construir este empoderamento junto. Uma unidade cultural de África. O conhecimento de como lido com a ancestralidade e o céu. E como Diop (1985) já anunciou, a luz da renascença africana há de vir do Oeste para o Leste. O processo de devastação está em colapso. Agora é o momento do grande renascimento, de reconectarmos novamente. Os líderes culturais com consciência política serão

No Senegal – Monumento chamado Renascença Africana – homenagem à familia africana. Vale ressaltar que este monumento é do tamanho do Cristo Redentor no RJ. Sintam a força da mensagem!

fundamentais. Senegal deu uma luz nesses sentidos, cultural, econômico e político. Construíram um monumento gigantesco em homenagem à família africana, é chamado de “Renascença Africana”. A mulher ao lado direito do homem que ergue em seus braço o filho que aponta para o Oeste. Como Finch disse, não é para o norte, não é para o sul, não é para o leste. É para o Oeste, e o que está no Oeste da África? A DIÁSPORA. A criança aponta para o Oeste, para a diáspora se unir ao continente para a renascença africana. Nós estamos numa guerra cultural, uma guerra pela a mente africana. De um lado o capitalismo, o consumismo que esta sendo imposto. Toda essa cultura exploradora e predatória. De outro lado, a orientação africana desde Kemet, uma orientação espiritual, unificadora, humanizadora para a eternidade. Por exemplo, na cidade do Rio de Janeiro há dois Brasis, há duas consciências, uma da elite branca e outra negra.

Uma outra mulher que não consegui saber o nome deu essa importante palestra – Sobre papel da mulher na cultura Kemética. A unidade cultura é o balanço entre o feminino e o masculino. Equilibrando as energias de nascimento, produção e reprodução. No Vale do

Egito – Grande Templo de Ramises II – sua esposa está ao seu lado nas esculturas

Nilo as imagens deixam esta noção de equilíbrio muito forte. Os homens e mulheres estão sempre lada a lado, abraçados. As mulheres são heroínas, rainhas, guerreiras tão respeitadas quanto homens. Ex. Rainha Nzinga. Diop diz que o modelo de mulher encontra-se no sul e não no norte. No norte, creio eu que ela estava falando da Europa, há a falta de um modelo de mulher. O que acontece nessas circunstâncias? A falta a mulher gera ações de corrupção, guerra e produção desenfreada. No modelo afrocentrico a mulher representa a paz. As rainhas africanas não eram mulheres de reis ou as esposas que os acompanhavam. Elas pertenciam a linhagens reais. Algumas comunidades escolheram suas rainhas pelas suas qualidades e a mãe da rainha escolhe o rei que será seu marido. Por exemplo, Timbuktu foi nomeado por uma mulher. A África é uma terra de famílias que se espalharam e a forma como as pequenas comunidades funcionam tem muito haver como a forma que as mulheres funcionam. Segundo Diop, é a hora da unidade cultural da Áfrican Negra e o poder tem que vir pela mulher.

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