TIGER FLOWERS – primeiro negro peso médio nos EUA

Assisti a palestra “Atlanta’s great Black Hope: the Tiger Flowers story community”. Era sobre a história deste grande boxel negro chamado Tiger Flowers.   

Tiger Flowers foi o primeiro africano-americano a ganhar o campeonato de boxe dos pesos médios nos EUA. Os registros não são muito precisos, mas ele nasceu por volta de 1895 a 1897 em Atlanta e morreu em 1927. Ou seja, ele morreu com 30 a 34 anos. Apesar de morrer tão jovem ele foi um grande homem na história desta cidade e na do boxe nos EUA. Vejam só!

Tiger Flowers começou o boxe profissional em 1918 enquanto trabalhava na construção naval na Philadelphia. Sua carreira foi brilhante e memorável. Em 9 anos ele participou de 160, das quais ele ganhou 136 e perdeu 24. Sendo que algumas vezes ele lutou duas vezes num mesmo dia e ganhou as duas lutas. Incrível desempenho!

Além de ser um excelente boxel, praticamente invencível no auge da sua carreira, ele era considerado um grande homem, pois reunia muitas qualidades admiráveis em seu tempo, tanto por negros quanto por brancos. Era vegetariano, cristão, não bebia, não fumava.

A grandeza de Tiger Flowers fica ainda mais evidente quando refletimos sobre o contexto sócio-histórico de sua época. Na virada do século XIX para o XX, negros estudavam em escolas segregadas, em sua maioria as famílias negras empobrecidas e viviam em bairros segregados dos brancos. Mesmo no boxe, negros não podiam lutar com brancos. Existia a Ku Kux Klan perseguindo e massacrando a população negra.

Com as lutas Tiger Flowers tornou-se muito, muito, muito rico para qualquer homem de seu tempo. Ao final de seus nove anos de atividade no boxe ele tinha várias fazendas de pêssego, 10 casas, diversos carros, andava com motorista, etc. Mesmo com toda essa riqueza, Tiger escolheu permanecer morando no bairro negro e empobrecido em que nasceu. Construiu uma casa gigantesca com mais de 20 quartos, a qual ficava aberta para toda a comunidade de seu bairro. Ele investiu dinheiro em diversas escolas, universidades e instituições sociais de Atlanta, contribuindo para o desenvolvimento da cidade.

Apesar de seu enorme prestígio junto a comunidade, a mídia, quando descrevia suas conquistas, o fazia desqualificando o seu valor. Ele morreu por negligencia médica no hospital quando foi fazer uma cirurgia para tirar uma cicatriz do olho, um procedimento simples. Seu funeral foi em sua casa, mais de 50.000 pessoas foram se despedir dele. Foi o maior funeral da história de Atlanta até o funeral de Martin Luther King. Nessa época, até os funerais eram segregados, os brancos ficaram na marquise e os negros no térreo.

Publicado por Simone Gibran

Criadora e Gestora da Psicologia e Africanidades.

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